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26 de dez de 2008

Inesperada Noite... ( Partes I - II e III )




A noite estava fria.
Meu corpo reclamava a falta
de outras assim.

O som do SAX marcava meus passos,
que ainda apoiados em bengala,
levavam-me de encontro a novos olhares,
a corpos desconhecidos,
a sorrisos misteriosos,
ao velho apetite pela caça.

O ambiente não poderia ser mais nostálgico.
Sombras e luzes que se misturavam,
como que para marcarem apenas o semblante,
o lado desconhecido de cada um dos presentes.

No ar,
um "Q" de noite meio de semana.
Olhares curiosos cruzaram-se com o meu,
fazendo renascer a vontade de ter,
de conquistar e ser apanhado em
femininas teias desconhecidas.

Na mesa a meia luz,
aproxima-se uma garçonete,
ainda jovem e sem cerimônia
pergunta com ar de solicito
profissionalismo...

- Boa noite cavalheiro.
_ Boa noite.

- Sou sua atendente por essa noite.

Que bom que ela me tratava como se já
nos conhecêssemos.

_ Obrigado.

- Me chamo Gláucia e estou aqui
para servi-lo em tudo o que desejar.
- Aceita jantar ou apenas um aperitivo antes
do show principal?

_ Obrigado, mas por enquanto,
um vinho branco, seco, de boa safra,
gelado.
- Apenas um momento e já trago.
_ Obrigado.

Olhando para o pequeno palco,
vejo dois velhos músicos,
um tocando um bem conservado sax tenor,
com pura maestria conseguida,
com certeza, depois de muitas noites
de boites e improvisações.
Outro dedilhava com paixão o teclado
do imponente piano negro.

No canto direito,
alguns casais dançavam,
absortos em suas paixões.
Rodando pela pequena pista vagarosamente,
sentido o som melancólico que os fazia
dançar abraçados e viajar a cada nova nota.

Do lado esquerdo, algumas mesas vazias.
Em outras alguns homens sozinhos e
mulheres acompanhadas delas mesmo,
assim como também de suas árduas
missões pela vida à fora.

Glaucia volta com um bom branco alemão,
abre com destreza, tira a rolha,
serve um pouco em meu copo,
espera que prove e com um sorriso
satisfeito, pede minha aprovação...

- Esta a seu gosto?
_ Sim, é uma boa safra, obrigado.
- Deseja mais alguma coisa?
_ Por enquanto não.
- Quando quiser é só chamar.
_ Obrigado.

Ela da meia volta e pude perceber
que estava defronte de uma mulher
com um corpo bonito,
cabelos bem tratados e unhas perfeitas.
Deveria estar beirando os vinte e oito anos,
solteira e devido à hora,
com certeza, estava cansada.

Ainda no primeiro copo de vinho,
uma voz ao microfone anuncia.

_ Boa noite damas e cavalheiros,
nesse momento daremos inicio ao nosso
penúltimo Show da noite.

As luzes se apagam e um Blues,
dos antigos, entoa solene na escuridão.
A pequena cortina se abre, fazendo surgir,
uma mulher ainda jovem, bonita,
de cabelos loiros e longos.

Ela vai ao centro do palco e começa,
com uma voz rouca, sedutora mesmo,
a cantar suave.

Ela caminha devagar e com imensa
sensualidade começa a dançar de uma
maneira que nunca tinha visto.

Olhando fixo para aquele rosto,
para o corpo bem acima do peso,
da bonita cantora, viajo e sem
conseguir desviar o olhar daquela mulher,
a vejo nua, linda e sensual.

O Blues Mixado continua firme,
fazendo com que a platéia,
mesmo pequena, fique totalmente entretida,
quase hipnotizada,
pela dança e voz da artista.

Finda a primeira música,
ela olha para todos os presentes
e num gesto mais que impositivo,
me chama e...


Parte Dois



- Ei moço, deixou cair...
- É você...?

_ Ana Claudia!!!
_ Como você esta menina?

- Bem, seu moço, rsrsrsrsr
- Que susto tomei quando percebi ser você.
- Como você esta?
- Meu pai falou pelo que passou.
- Te digo que sempre tive a certeza
de que irias vencer mais essa batalha.

_ Estive com teu pai ainda essa semana.
_ Ele continua me dando bronca,
que só médico amigo pode dar...

- Teu cabelo esta curto, mas um charme só.
- Alias você continua um gato.

_ Menina... Nós já passamos dessa fase.
_ Lembra?
_ Você sim, esta linda e cada dia mais
bem sucedida na tua carreira.
Teu pai me disse.
_ Fico muito feliz por você.

Nesse momento, mesmo sem demonstrarem,
o ambiente ficou tenso.
Ana Claudia, com certeza,
estava abalada com esse encontro inesperado.
Afinal era uma velha paixão que tinham vivido,
a pouco mais de dois anos.

Ana Claudia é uma mulher linda,
dinâmica e que sabe o que quer.
Médica desfila charme e competência pelos melhores
hospitais de sua querida São Paulo.

Filha de um renomado médico,
se apaixonou perdidamente pelo amigo do pai.
Uma paixão dessas de cinema,
mesmo sendo ela, vinte e cinco anos
mais nova que seu "gato".

Rompendo muitas barreiras familiares e
a própria resistência dele,
ela buscou,
brigou,
se entregou de corpo e coração
a aquele homem.

Ele fez de tudo para dissuadi-la,
mas Ana Claudia, nunca cedeu e chegaram
a viver essa paixão em sua plenitude,
por quase um ano.

Passado o primeiro susto,
Ana Claudia, num movimento inesperado,
abraça-se ao homem a sua frente
e rouba-lhe um beijo rápido.
Depois outro e logo estavam em plena rua
se beijando sem remorsos ou cerimônia.

- Que loucura te encontrar.
- Você me tira do sério homem.
- Eu quero...

- Boa noite cavalheiro.
- Gostaria de pedir alguma música em especial
para eu cantar?
- Será um grande prazer satisfazê-lo.

Disse sem pestanejar a bela cantora.
Obrigando a que eu desse total atenção
a ela.

Eu a olhei firme nos olhos e...

Parte Três

Rebatendo com a mesma intensidade,
ela retribuiu meu olhar,
com outro profundo e cheio de malicia.
Que bateu forte e decidido,
dentro de minhas vontades.

Ela veio se aproximando,
chegando cada vez mais perto,
bem próximo mesmo,
ficando a não mais que
meio metro de meu rosto,
o que me fez distinguir
o bom perfume francês,
que acariciava seu corpo
naquela noite.

- Uma música apenas cavalheiro,
que o faça mais feliz neste momento.
- Pode dizer o nome que eu cantarei,
como se fosse apenas para o senhor.

Uma onda de calor percorreu meu corpo.
Uma vontade tamanha de abraçar
aquela mulher surgiu forte,
como se fosse eu,
ainda um adolescente.

Pensei um pouco e deixando
a timidez de lado,
olhei para ela, falando...

_ Obrigado pelo carinho.
_ Em homenagem a esse momento,
e a você, cante "PESSOA"
da Marina Lima.



Notei que ela foi pega de surpresa.
Talvez não esperasse uma música tão
diferente de seu repertório e
meio fora de lugar, mas...

Ela,
com toda a sensualidade que
só uma mulher pode ter,
deu meia volta e a capela
cantou melosa, sensual,
atrevida mesmo.
Fazendo daquela apresentação,
uma homenagem suprema aos caminhos
incertos do destino.

O ambiente se transformou.
O desafio das paixões pairava solto no ar.
Os casais se beijavam mais apaixonados.
Nossos olhos não se desviaram,
um só instante.
Marcando assim, aquele instante,
de puro encantamento.

Ao terminar a canção,
uma furtiva lágrima brilhava
em seu rosto bonito,
ao mesmo tempo em que as palmas
explodiam pelo pequeno local.

Carla é esse seu nome,
ainda cantou mais três músicas
e do mesmo jeito que entrou,
saiu do palco, altiva como uma
rainha.

Terminando meu segundo copo de vinho,
volta à minha mesa Gláucia,
com um belo sorriso no rosto...

- Adorei o show de hoje.
- E o senhor gostou?
_ Gostei sim, obrigado.

Outro sorriso surgiu,
só que agora, veio acompanhado,
de um certo ar de cumplicidade.
Pedindo desculpas, Glaucia pede
para sentar-se a minha mesa.

- O senhor já conhecia a Carla?
- Ela nunca falou com um cliente antes,
ainda mais, se oferecendo para cantar,
uma música de sua escolha.
- Foi diferente, estranho mesmo,
mas foi lindo também, o jeito
com que o senhor e ela se olhavam.
- Não me leve a mal a intromissão,
mas não estava aguentando de curiosidade.
- Carla é muito séria e nunca a vi
agindo dessa forma.

_ Tudo bem Gláucia, sem problema.
_ E respondendo a sua pergunta,
eu não conhecia a cantora,
mas gostei muito do modo bonito dela
cantar como também de sua voz.
_ Quero ouvi-la mais vezes.

Nesse instante
"um anjo passou pela mesa"
e o silencio se fez.
Meio sem jeito, Gláucia pede licença,
se levantando para servir aos outros clientes.

Aquela voz não saia de minha cabeça.
Aquele modo de dançar,
de molhar os lábios,
entre uma frase e outra de Carla,
estavam me deixando curioso demais.

Tirando um cartão do bolso,
escrevi tudo o que estava sentindo
naquele momento.
Chamei o maitre e pedi que entregasse,
em meu nome a Carla.

O maitre educadamente dobrou o cartão,
se comprometendo a entregá-lo a cantora.

Os pares ainda dançavam pela
pequena pista,
quando uma mão suave,
toca de leve meu ombro.



Ao virar-me, deparo com Ana Claudia,
mais linda do que nunca,
com seu jeito de menina levada.

Tive que me controlar para não deixá-la
perceber minha surpresa,
já que tinha esquecido totalmente,
que marcamos de nos encontrar,
ali, nessa boite, naquela noite.

Ela me beijou com força e sentou-se alegre.

- Ufaaa!!!
- Desculpa amor, mas só conseguir
sair agora da cirurgia.

Eu a abracei forte,
demonstrando o quanto era bom,
que ela estivesse ali comigo.

- Você já jantou?
- Pois eu estou faminta.

Ainda me recuperando,
acariciei seu rosto e
com um toque mais forte a
puxei pra mim e a beijei com
toda paixão e carinho que sabia
estarmos precisando.

Ficamos assim alguns minutos,
viajando em nós dois.

- Boa noite senhora.
- Senhor.
- Desejam jantar agora?

_ Sim, por favor, o cardápio e traga também
um licor de menta com gelo bem picado,
para a senhora.

- Sim senhor, nesse instante.

Ana Claudia estava radiante em seu
vestido preto, de um tecido bem fino e
decotado com bom gosto,
deixando à mostra,
uma parte de seu colo bonito.

Estava com uma maquilagem suave,
o que realçava mais ainda sua beleza.

Jantamos e ao final saboreamos
um excelente licor de cereja,
o que fez com que nossas bocas
ficassem doces e gostosas de beijar.

Passado algum tempo,
um novo anuncio de show se fez ouvir.

Nesse momento...

Continua


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3 comentários:

R.Cássia disse...

Hummm... Que delícia poder novamente "viajar" por seus "caminhos"...
Ao som de um sax, ouvindo Blues... Não há sonho melhor...
Aguardando... Bjks

JEANINE disse...

e...
leve-me contigo por onde estiveres..ao som de tua voz...e a velocidade do balanço de teus cabelos ao vento...
por toda a eternidade...

Tania Medeiros disse...

- Que loucura te encontrar.
- Você me tira do sério homem.
- Eu quero...

Faço minhas estas tuas palavras, e viajo num sonho que já é tão imenso...

Beijos carinhosos e .......