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18 de dez de 2009

Boca...




Logo após o almoço, sem seguir rotina,
sai do trabalho e fui passear a pé pelas redondezas.
Apreciar a gente, os rostos, as vidas nos pensamentos
de cada um que cruzasse o meu caminho.

Antes de sair, pedi emprestado o I-Pod do ascensorista
e lá fui eu, a principio escutando um sertanejo, que de imediato,
fez-me lamentar a idéia.
Logo ao cruzar com um garoto, perguntei se poderia ouvir
radio se quisesse.

... Demorou Tio, é só mudar aqui e escolher AM ou Fm.
... Fácil e da hora...

Agradeci com gírias dos oitenta, que com certeza, ele não entendeu nada.
Segui meu caminho, agora ouvindo uma rádio com baladas da minha época...rs

Com o passear e o passar do tempo, precisava sentar.
Tomar alguma coisa, olhar as pessoas e sorrir do inusitado
de admirar o simples, o cada um de nós, sem mascaras ou grifes.

Logo encontrei um café, bem gostoso, com apenas duas mesas
perto da calçada, oferecia o lugar ideal para meu deleite ou arrependimento.

Assim que sentei, veio um garçom e perguntou se gostaria de almoçar
ou apenas beber alguma coisa.

... Boa tarde doutor.
... A rabada esta muito boa, ou só vai um chopp.
... O nosso é o melhor da cidade e sem duvida o mais gelado.

Ou seja, ou morria com o rabo do boi, ou tomava o chopp mais gelado.
Mudando tudo, pedi um chopp não tão gelado e com colarinho.
Gosto da espuma...rs

Meio sem jeito, o garçom, prontamente virou-se e logo estava com a bebida
super gelada a minha frente.

Dei um gole, estranhei o gosto.
A muito não tomava cerveja, choop
ou qualquer maltado. Nunca gostei do sabor.
Mas até que estava bom.

Sem perceber estava bem a vontade,
com os fones no ouvido, rabiscava umas besteiras no guardanapo
e olhava, principalmente para as mulheres que por ali passavam.

Algumas muito bem vestidas, disfarçavam sua falta de beleza,
outras normais trabalhadoras e bonitinhas.
Nada de especial.
E comecei a tentar saber o que cada uma fazia.

Passados não mais que quinze minutos,
amotinaram-se palavras, algumas soltas,
outras que trago encravadas nos anseios.
Queriam ser poemas, prosas ou contos,
mas recusavam-se a ser apenas letras,
mal juntadas.
Queriam fazer parte do dilema,
de uma canção, uma dor, um amor,
que nascesse da voz rouca do cantor,
ou na doce melodia dos devaneios de um
poeta menor.

Tentei prestar mais atenção nas mulheres,
deixando de lado o vicio de contar, de colocar no ar,
de atar as pessoas as palavras escritas no deleite
dos meus motivos.

Logo uma mão feminina, pediu licença e
passou um pano em minha mesa, trocou o cinzeiro sem uso,
mudou o vasinho de lugar e me olhou com cara de todo dia.

... Não bebeu quase nada do seu chopp, quer outro?
... Com certeza esse já deve ter esquentado.

Sem obter uma resposta de imediato,
olhou-me firme nos olhos e sem dizer nada, se foi.

Era o que minhas letras estavam esperando.
Um motivo real e indecifrável para se fazerem presentes.

Nesse momento lembrei-me da musica da Marina
"Acontecimentos".
Logo um sorriso brotou largo em meu peito.

Virei, chamei a moça e sem tirar os olhos de sua boca,
perguntei-lhe o nome.

... Teu nome?

... Rosa Maria. Porque?

... Fiquei curioso.
... Pode levar esse chopp, trazer uma Pepsi e um copo com gelo.
... Obrigado.

Rosa voltou com meu pedido, olhou-me de soslaio e se foi.

A boca...
A boca de Rosa Maria.

_ Tua boca tem o fel das Rosas mais bonitas.
No sereno guardam o calor de lágrimas e amores.
No calar repentino, trazem o silêncio marcante,
dos odores mais fortes e sentidos.
No morder de lábios, nasce a expressão maior
da fêmea decidida, com fogo a adornar outras
bocas a peregrinarem tua saliva.
No beijar amor, tomas pra ti, o caminho
certeiro do beijo marcado,
na doçura de teus lábios usados no prazer.

Tua boca ... Rosa Maria,
faz brotar a incerteza do talvez,
respingado pelo não e o sim.
Tem segredo com que abres corações e
consegue o mundo com a mais pura e doce sedução.

Em tua boca quero descobrir teus segredos.
Saber do teu passado e fazer teu futuro com beijos
e línguas a acordarem sorrindo.

Tua boca ... Rosa Maria,
que mal conheço fez de ti minha maga e
no feitiço me faz sentir que teu universo,
tão distante de minha boca,
contem um milhão de caminhos,
onde segredos e vida, apenas em teu coração,
posso descobrir.

Minha boca, que é tua ... Rosa Maria
criou a ilusão que buscava nesse momento
de brincadeira e descaso.

E no final das letras, teu beijo, que jamais sentirei,
apenas me faz sentir o gosto do sonho e de teus pecados.

Te beijo ... Rosa Maria.



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3 comentários:

JEANINE disse...

SATISFAÇÃO TENHO EM VOLTAR AS TUAS VIAGENS...
E NA BOCA DE ROSA MARIA ENCONTRO MUITAS BOCAS TUAS...
ESTAS QUE TE DESEJAM...E AS QUE DESEJARÁS TAMBÉM.
AH..ROSA MARIA....
E SE SUA BOCA FALASSE....

Nanci Cerqueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JEANINE disse...

Uiiii..rsrsrsr
Quantas Rosas Marias gostariam de ter tua boca...
Me diz...em poema...como é ser tão desejado....
Me fala em prosa o sentimento...me diz em versos a emoção....