Cole o Código do Banner

13 de jan de 2008

TEMPO DE LUA E DE MORTE


Cheguei à janela e observei o céu.
Estava meio raivoso, endiabrado,
de um azul-avermelhado,
com suas nuvens agitadas como eu.

Pela cabeça, milhões de idéias dançavam,
como que me provocando em meus mais íntimos sentidos,
nessa louca viagem ao desconhecido,
na impotência de não se ter o controle.

Não parecia que estava sentado à bordo
de uma moderna maquina e sim
na mais precária asa-voadora já feita,
a voar sem rumo por aquele céu sombrio e
que eu jamais gostava de percorrer.




Levantei para espantar as nuvens negras e
por momentos o equilíbrio me fugiu,
como se realmente tentasse driblar,
compensar os ventos numa velha asa frágil
e delicada como a vida.

Acostumado, logo chegou o equilíbrio,
e me pus ao lado da condutora da maquina
maravilhosa que tinha nas mãos.
Fiquei pesados minutos entretido com a parafernalha
de luzes, comandos e botões,
que tão bem conhecia.

O tempo ficava mau, cada vez mais negro,
com um tom em penumbra com pouca luz e muitos raios.
Chovia forte, com o vento em rajadas traiçoeiras,
como que querendo se apresentar e
não deixar que os raios e a chuva
não o convidassem para esse céu zangado.
O vento com fúria batia como chicotes,
nas asas finas que teimavam em cortá-lo audazes e firmes.
Nada era o que eu esperava nesse vôo
ao desconhecido de mais uma curva em meu destino.

Ao voltar pro meu canto e deixar os profissionais
tomarem conta do meu caminho,
olhei uma última vez para as luzes e o semblante
tranquilo da minha Comandante me
convenceu que estava apenas vivendo.

Na realidade, devido ao tempo,
senti que a ambíguidade de meus sonhos,
pode não deixar marcas das minhas pegadas
do bem e do mal.

Nesse momento, era como se ninguém estivesse
por esse céu, entre essas nuvens,
que não eram as minhas, por meses, anos,
uma eternidade realmente intocada e vazia.

Foi daí que pensei, constatei,
que em muitos corações não havia marcas
das minhas passadas.

Não me lembrei das saudades.
Muito menos de algum ódio.
Não me recordei de nada,
nem do todo do meu caminho.

Poderia não haver retorno.
Quem sabe o fim.
Sim, um simples fim.

Voltei-me a observar o céu
e ele como um pai acolheu-me dentro de si.
e não mais quis dele sair.

A vida acaba quando acaba o mistério,
a ânsia, o sonho.
Por isso, não vejo como possa haver
poesia na morte.
Sem sonho e força não há vida.

A morte não é estar sozinho.
A morte não é ficar ausente da memória de alguém.
A morte não é não deixar nenhuma marca,
de qualquer caminho que se percorreu
A morte é morrer nas pessoas e
essa morte ainda não me quer...



Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

6 comentários:

R.Cássia disse...

Não tão cedo, meu querido...Essa lua, será cúmplice ainda de muitos sonhos e viagens... Mil Bjks!

Kannia disse...

Suas entrelinhas estão tão entrelaçadas com sua realidade que sei que sempre poderemos ter o melhor vindo delas....

Um beijo

Lurdinha disse...

Muito bom !

AMELIA disse...

Um "medinho" nos faz pensar em muitas situaçôes que não imaginávamos, e neste voô do pensamento acabamos fazendo uma reflexão de nossas vidas...
Beijos

JEANINE disse...

Observar o céu.....
Sempre encontramos respostas..que nos levam a outras dúvidas....
Como na infância..olhando as nuvens....hora eram imagens boas....horas imagens desfiguradas.

Saudade de você...

Nanci Cerqueira disse...

Poeta, teu poema é profundo, reflexivo, sentido... Na morte não tem poesia, pois a morte é o nada... a luz se apagou! Mas a vida é o grande mistério, o grande sonho, temos que sonhar cada instante, mesmos sonhos impossíveis, a impossibilidade nos faz exercitar as chances possíveis e isso dá cor a nossa realidade em sermos seres sonhadores! E viva a vida poeta!


A vida acaba quando acaba o mistério,
a ânsia, o sonho.
Por isso, não vejo como possa haver
poesia na morte.
Sem sonho e força não há vida.

A morte não é estar sozinho.
A morte não é ficar ausente da memória de alguém.
A morte não é não deixar nenhuma marca,
de qualquer caminho que se percorreu
A morte é morrer nas pessoas e
essa morte ainda não me quer...

Parabéns, voando numa maquina, descestes nas profundezas abissais do teu SER! A vida te quer por muito e muito tempo! Tenha certeza disso!

Obrigado por estar aqui!

Te beijo