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11 de dez de 2009

Melancolia



Hora qualquer, dia sem calendário,
ano fim, inicio do desamor...

E tudo foi rápido,
assim como, frágeis e doídos
são os adeuses.

Os olhos se buscaram sem luz,
sem cor, sem foco.
É uma despedida pensada.
Com seus assins e assados.
Foi feita, dita, sentida por ambos corações , medrosos de vida.

As lágrimas dela regaram o caminho de passos trêmulos,
mãos suadas, olhos em fogo, coração exangue...
Dele, apenas marejados brilhos de saudade eterna,
perfilaram por entre cílios e veias,
que indiferentes, pulsavam descompassadas pelo corpo desfeito,
vergado, sem altivez...

As lágrimas ficaram na estrada,
que aos dois envolveu, na partida decisiva,
sem mesmo, um último olhar de receio.

E assim ambos aceitaram o adeus de seus corações.

Ele, mais resoluto, quis voltar.
Pensou surpresa, mas não tocou seu coração
com a magia certa.

Ela, ensaiou frases de efeito, caras e bocas de
puro arrependimento, mas o orgulho se fez maior.
A duvida permeou sua razão, seu coração chorou baixinho
e nada dele, ela escutou.

O que fazer se estava pronto o desencanto, o adeus.
Nascida estava a lembrança.

Noutros e em outros dias,
ele viveu em varias bocas, acarinhou corpos distintos,
viveu mulheres sem cor, sem rostos, sem tamanhos
ou corações marcantes.

Ela percorreu sua vida, sempre na busca insana
das liberdades do momento, sem razões, saudades
ou espaços tomados.

Viveram o vazio...

Longos dias, com anos e desamores a somar suas ilusões,
fizeram com que conhecessem a fome do completo.
Na insensatez do tempo triste,
murchou-se a flor, o mar acalmou,
o céu empreteceu e dois corações morrerão sem achar
o único pedaço que faltou...

Aquele brilho nos olhos, o sentimento em turbilhão,
o futuro vivido juntos.

No fim, a estória dos dois, foi contada por um poeta
que habita, ainda hoje, o coração de um deles.



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Um comentário:

Nanci Cerqueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.